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Férias - Mas volto rápido

por Catarina d´Oliveira, em 22.04.15

É mais um "pause" do que um "stop".

 

Na segunda-feira já estou de volta de umas férias descansadas que servem, sobretudo, para planear novas aventuras.

 

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Do good.

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Conversa Amiga #2

por Catarina d´Oliveira, em 16.04.15

 

Diz-se que, nas lides da arte teatral, o segundo espetáculo é sempre aquele que corre pior. Já tive o prazer de estar na pele de quem sobre ao palco e de atestar a inglória verdade desse facto.

 

No último sábado não subi a nenhum palco, mas à semelhança da exposição teatral, tentei, pela segunda vez, ajudar a melhorar a noite de pessoas a quem o tempo e a vida negligencía - não esquece, porque a ferida está lá sempre, mas desmazela-se no trato.

 

Reunimo-nos no sítio de sempre numa noite que estava menos fria do que a anterior e, não sei se por isso ou se auxiliada pelo desembaraço de já não ser a primeira vez, senti-me melhor, mais capaz e sobretudo, mais próxima daquelas pessoas que começo a conhecer.

 

Abri caminho por uma das pontas da estação, e a primeira figura que encontrei foi a do senhor M., sentado muito calmamente à espera da enfermeira que nos acompanha sempre nas saídas. "Então amigo, como é que está isso hoje?", pergunto com o maior sorriso que consigo arranjar e lembrando-me da formação que aconselha a não questionar "está bom?" - evidentemente, se estivesse, não estaria na rua.

 

O olhar dele é sereno, não exatamente triste, mas para me responder leva a mão ao maxilar. "Mais ou menos... tenho aqui uma dor de dentes que me tem atormentado a semana toda. Estes já são todos para arrancar". Assenti solidariamente - não há maçada equivalente a uma dor de dentes persistente. Mas os (vários) dedos de conversa que trocamos ao longo da mais de meia hora não se cingiram à malfadada maleita que apenas um especialista poderia resolver.

 

Com umas cores de fazer inveja, o senhor M. contou-me que era pedreiro, e que aquele bom ar era nada menos que um osso do ofício - um osso bicudo até, para quem não simpatiza com calor. Sorri e disse-lhe que não podíamos estar em maior desacordo, e expliquei-lhe como o sol era importante na minha vida. "Pois imagino... mas cá para mim não. Prefiro o frio. Mal vem o calor começo a ter problemas, de circulação e tudo. Eu é mais frio. Chuva não, mas frio sim".

 

A propósito da animada discussão meteorológica, e das oscilações que sentiu no processo, o senhor M. acabou por me contar um pedaço da sua entusiasmante aventura pelo Caminho de Santiago. "Conhecem-se pessoas muito boas pelo caminho. Algumas más também... mas muitas boas. E aprendemos muito com elas. Uma vez numa estalagem estive com uma senhora espanhola a noite toda a conversar e a ver as estrelas. Depois foi cada um para o seu canto e nunca mais a vi". Soma-se assim uma mão cheia de milhares de km nas pernas de gémeos musculados, e uma arca infindável de memórias que espero poder voltar a explorar em encontros futuros. Mas vamos com calma, uma noite de cada vez.

 

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Desejei-lhe as melhoras e uma noite descansada e prossegui mais um pouco até encontrar as minhas primeiras caras conhecidas. O famoso C. das charadas e a esposa M. que hoje vinha mais bem disposta e até me agraciou com dois beijinhos: "boa noite minha linda! É Catarina não é?" - é sim senhora!

 

Por ali perdi mais uns bons 45 minutos - com menos charadas do que na primeira noite, e mais histórias. Fiquei a perceber melhor a dinâmica da vida esforçada do casal - trabalham todos os dias sem exceção - e a ter uma melhor compreensão sobre como são vistos pelos outros, que somos nós. "Às vezes vou ali ao café e olham-me logo de lado porque já me conhecem. Noutra vez estava aqui em baixo com o Cris. a beber uma cerveja e umas raparigas afastaram-se logo porque devem ter achado que eramos bebados. Mas já não se pode beber uma??".

 

O preconceito está-nos entranhado, além da pele, no sangue.

 

Para o final da noite, voltaram as charadas, e senti-me orgulhosa por ser capaz de resolver duas - repetidas da primeira noite, é verdade, mas ainda assim...

 

Já a queimar os últimos cartuxos, ainda tive tempo de tirar cinco minutos para o senhor L. ou Serra, como costuma introduzir-se - sentado mesmo ao lado do senhor A. que segundo consta também apanhamos num dia de boa disposição excecional e que conta com um par de olhos dos mais bonitos que já vi. Quanto ao L., mantém-se sereno mas com uma boa disposição inimitável. Entre trocas simpáticas e uma apresentação que deu direito a beijinho na mão, lá partilhou a preocupação de uma vida polvilhada de doenças familiares. "É tudo muito difícil e muito triste... mas nós que ficamos cá temos de continuar a batalhar não é verdade?".

 

A estação começa a sossegar - quem tem quarto ou casa ausenta-se e quem chama àquele lugar casa começa a aninhar-se para uma dormida que terminará pelas 06:00, quando as luzes voltarem a ser acesas.

 

Nas próximas duas saídas não conseguirei estar presente com a Associação,  mas mal posso esperar por voltar a tentar fazê-los sentir um pouco mais em casa e na vida, tal como o fazem a mim.

 

 

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Cartas para Estranhos #7

por Catarina d´Oliveira, em 12.04.15

 

O mundo não pára de girar, e nós não temos de parar de tentar ser melhores uns com e para os outros, e de sermos nós, sempre nós, sem medos.

 

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"Olá estranho/a,

Escrevo cartas para pessoas que não conheço e deixo-as por aí. É esquisito?

Acredito que assim o possa parecer... mas todos somos um pouco estranhos, e talvez seja aquilo que fazemos com as nossas idiossincrasias e trejeitos peculiares que realmente importa, não achas?

Vai sempre haver quem aponte o dedo, ou condene em surdina, mas também aqueles que gostam verdadeiramente daquelas partes de ti que sentes que "deves" esconder. E ao partilhá-las podes fazer com que também os outros sintam segurança para mostrar as faces que acham que os outros iam etiquetar de estranhas. Especialmente se os tratarmos com amor e respeito.

É difícil ser vulnerável, mas aproxima-nos dos outros, se nos permitirmos a isso.

Abraça a tua "estranheza" e a dos outros.
Pertences aqui, e és uma parte única do mundo!


De alguém que acredita em ti."

 

 

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Por aí... #16

por Catarina d´Oliveira, em 09.04.15

 

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We shall not cease from exploration
And the end of all our exploring
Will be to arrive where we started
And know the place for the first time
T.S. Eliot

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Cartas para Estranhos #6

por Catarina d´Oliveira, em 07.04.15

 

Já tinha saudades de as escrever, de as deixar. Foi mais um passeio aproveitado para deixar rasto, e sobretudo o desejo de inspirar a fazer mais e melhor.

 

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"Olá estranho/a

Escrevo-te esta carta para lembrar algo muito importante.
Todos os dias são - ou deveriam ser! - de bondade, e porque hoje também é dia, deixo-te estas notas:

1. És espetacular! A sério... sou tua fã!

2. És estupendamente amado/a (mesmo que nem sempre o sintas a 100%)

3. Nunca estás (verdadeiramente) sozinho/a - andamos aqui todos permanentemente às cabeçadas nas quilhas da vida

4. Mereces carinho e respeito

5. Sei que, neste preciso momento, estás a fazer o melhor com aquilo que tens

6. Nunca vai haver um ato de bondade de que te arrependas, porque qualquer um te vai tornar uma pessoa maior e melhor, sempre...

Então aproveitando o balanço... faz algo bom e simpático, hoje mesmo! A um familiar, a um amigo, a um estranho... não interessa a quem, mas faz! Prometo que vais sentir-te bem. E é claro, não te esqueças também: cuida bem de ti.

Estou a contar contigo!

 

 

De uma amiga que ainda não conheceste"

 

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Por aí... #15

por Catarina d´Oliveira, em 07.04.15

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“You can cut all the flowers but you cannot keep Spring from coming.”
Pablo Neruda

 

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Conversa Amiga #1

por Catarina d´Oliveira, em 06.04.15

 

Calhou num daqueles dias estranhos, onde as tardes se montam em pedaços idílicos de uma esplanada à beira-mar e as noites se despem num frio de gelar os ossos - mas não a alma.

 

Saí de casa com dois casacos exageradamente quentes, e aquele final de tarde a caminho de Lisboa foi custoso. Quando cheguei, houve reunião, distribuição de equipa e uma pequena atividade de team building até ser a hora de enfrentar o frio para aquecer o peito.

 

Às 21h já lá estavamos, e pela primeira vez deparei-me com o cenário para o qual me tinham preparado na formação. No entanto, nada é capaz de nos antecipar aqueles choques frontais violentíssimos com a imponência da realidade. Comecei a arrastar-me pela larga extensão do corredor da estação do Oriente com o espanto dorido de uma criatura em luto por algo que nem sabia ser seu.

 

Se de dia o cenário é insuspeito, à noite as suas verdadeiras cores mostram-se e o quadro é de um preto carregado com muito pouco branco. Aproximei-me do meu "orientador de saída" e perguntei como distinguíamos naquele mar de gente cansada aquelas com quem deveríamos falar - "Não escolhemos. Aproximamo-nos, metemos conversa e pronto. Não estamos à procura de ninguém específico. Só estamos aqui para conversar e deixar conversar".

 

Ao longo do piso médio da estação, pelos bancos que se distribuem dos dois lados, as pessoas de todas as idades, raças e estados de espírito sentam-se a comer uma refeição entregue por uma outra instituição há meros minutos.

 

A experiência ainda agora começou, pelo que ainda não conheço histórias, mas já gravei algumas caras e nomes (que, eticamente, nunca revelarei sem autorização).

 

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 [imagem: Público]

 

Cumprimentei o R., que já tinha devorado o jantar e falava obsessivamente sobre o emprego que precisava de arranjar. Tentei trocar dois dedos de conversa com o A., que se revelou um dos difíceis e nos respondia a perguntas com questões, e rapidamente decidiu que se sentia mais confortável a fazer um cover de uma banda dos anos 90 pela estação do que a falar comigo - há outros sábados, para outras oportunidades de conquista.

 

Mas a maior parte da minha noite foi passada com o C., o mestre das adivinhas, e que antes de me confideciar o nome ou qualquer outra coisa, me trocou as voltas com charadas de estrutura simples mas resolução complexa que me deram mais que fazer à cabeça do que pensava ser possível naquela noite.

 

Com dificuldade furei entre enigmas e quebra-cabeças para uma conversa mais na terra. Sobre os biscates de trabalho, sobre os arrufos com a segurança da estação, sobre a mulher doente a quem dá o casaco mal o frio aperta, sobre o filho que não é de sangue mas que é de vida que defende mais do que a si mesmo, sobre a dificuldade de convivência entre aqueles na mesma situação e sobre o aperto de viver em permanente estado de sobrevivência num pequeno universo que nós, os sortudos, teimamos em obliterar.

 

Terminou tudo mais rápido do que esperava. O receio de ser incapaz de suprir uma necessidade tão simples como a da conversa a um desconhecido foi estilhaçado pelo prazer de uma experiência positiva naquela noite que afinal não foi assim tão fria. Mas provavelmente não foi por causa dos dois casacos que levei. Porque no final, era o coração que estava mais quente.

 

Até à próxima saída.

 

 

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Por aí... #14

por Catarina d´Oliveira, em 01.04.15

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“The future belongs to those who believe in the beauty of their dreams.”
Eleanor Roosevelt

 

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