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No I.P.O. não há doença: há vida e esperança

por Catarina d´Oliveira, em 03.06.14

Não são raras as vezes em que temos de relativizar as coisas. Ou, pelo menos, devíamos.

 

Tirar uns minutos para parar, sair da bolha de absorção que é a nossa vida quotidiana e olhar à volta. Se o fizermos, não só temos oportunidade de ver coisas que nunca tínhamos visto, como também nos possibilitamos a encontrar "acidentalmente" quem não nos faça sentir tão sozinhos, quem nos ensine mais do que julgávamos poder saber, quem nos mostre que na tragédia grega que é a vida há sempre lugar para a esperança, para o sorriso e para o Amor.

 

Hoje fui até ao I.P.O., e foi lá que conheci uma senhora a quem daqui em diante tratarei por B.

 

 

O dia está soalheiro, e pelos jardins do Instituto espalham-se histórias que nunca ficarão por contar - ainda que não seja por mim. A B. estava sentada no banco onde também me acomodei, e enquanto me instalava ouvia-a indistintamente numa conversa animada ao telemóvel. Quando terminou, resolvi meter conversa.

 

"Desculpe meter-me... mas depreendo que tenha aqui alguém, e só lhe quero dizer que fico muito feliz por as coisas estarem a correr bem". Surpreendida, olhou para mim, sorriu e respondeu: "Sim! A minha filha... só tem oito aninhos, mas já anda a batalhar desde os seis. É a pessoa mais corajosa que conheço".

 

Sem querer parecer grosseira ou intrusiva, questionei a B. sobre a jornada até hoje, desde a instalação do terror até ao final que até agora tem tudo para ser feliz. "Sabe... eu achava que já tinha apanhado uns sustos valentes na vida, mas só naquele momento é que percebi a verdadeira definição de medo. Quando os médicos falaram comigo, senti que tudo desapareceu à minha volta. Já não ouvia nada, não via nada, não sentia nada. Depois o pavor começou a crescer".

 

Vieram as segundas opiniões - necessárias apenas para assegurar o terror de quem percebia o que se passava - e as sucessivas consultas e consequentes sessões de quimioterapia. "É devastador ver o nosso filho passar por algo assim, mas por outro lado - eu tento sempre ver as coisas pelo lado positivo - serviu para me mostrar o quão forte ela era, mesmo tão pequenina. Foi raro chorar. E mesmo quando se entristecia de não poder sair para brincar com os outros meninos, lá arranjava maneira de se reerguer. Nunca vi nada assim. Foi ela mesma que, muitas das vezes, nos animou a nós".

 

O sorriso continuava lá, ainda que partes da história (que aqui não tenho espaço ou memória para desenvolver com exatidão) fossem tão dolorosas de recordar. "Lembro-me como se fosse hoje que quando ela começou a perder cabelo quase entrei numa espiral depressiva. Talvez só ali algo se tivesse finalmente ativado na minha cabeça... mas mais uma vez ela ensinou-me a sorrir e esperar o melhor mesmo quando todas as luzes parecem apagadas - 'Olha mamã! Agora já não precisas de me enrolar o cabelo com o secador sempre que tomo banho!!'".

 

No final, a B. lá me voltou a relembrar do importante, mesmo que com esta história fosse impossível ficar-lhe indiferente: "Quem olha para ela agora, não diz que já passou por tanto. E nós estamos gratos todos os dias. Apreciamos cada um como se fosse uma jóia, sabe? Porque é mesmo. Isto é tudo muito efémero. Um dia estamos aqui, mas ninguém nos garante que estejamos no seguinte. O único controle que temos nisto tudo é a forma como escolhemos responder às coisas, aos desafios".

 

Depois desta conversa, senti-me simultaneamente esmagada e inspirada pelas coisas boas. Subi até ao sétimo piso do I.P.O. - onde se encontra a secção de Pediatria - procurei a vending machine mais próxima e deixei um pequeno incentivo a quem por lá passar... porque muitas vezes, é na invisibilidade dos atos que nos sentimos fortalecidos.

 

 

 

Deixarei outra história para outro dia, mas não termino este post sem vos (e me) recordar do que realmente importa. A vida acontece a todos nós, e estou certa que é por ser tão frágil e por vezes tão dura connosco que toma um valor transcendente, que nunca existiria num Éden povoado por imortais.

 

Estamos aqui e agora. Não deixem que seja preciso uma tragédia ou a iminência dela para vos mostrar que a lista de coisas que são vitais à vossa vida não é tão longa como nos fazemos crer. Não desistam de procurar o Bom que existe em toda a gente. Não percam a esperança nos outros e em vocês. Parem de procurar a perfeição e aceitem a imperfeição de quem vos quer bem e a vossa também. E por fim, se amam alguém, por favor, digam-lhe. Digam sempre, porque nas contas finais, é tudo o que realmente importa.



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Cartas para Estranhos #3

por Catarina d´Oliveira, em 27.05.14

Porque sabe mesmo bem saber que não estamos sozinhos nesta aventura da vida...

 

 

Olá estranho/a,

Fico muito feliz por teres tomado a iniciativa de abrir e ler esta carta. Estava mesmo a pensar na quantidade assustadora de mãos às quais ela podia ter ido parar... e, no entanto, veio direitinha para ti. Talvez isso mostre que, afinal, isto não é tudo uma macabra obra do acaso e que a vida funciona, de facto, de formas misteriosas.

Posto isto, tenho um desafio para ti: abraça o dia de hoje.

És uma pessoa fantástica e amada, por isso ilumina a sala com o teu sorriso. Tira algum tempo para ti e passeia, vê um filme, bebe uns copos com os amigos.

Perdoa-te, e aos outros. Ri, sorri e ama. Sempre. Faz cada dia contar, a partir de agora.

 

 

Terei sempre um imenso orgulho em ti.

 

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Cartas para Estranhos #2

por Catarina d´Oliveira, em 19.05.14

 

Mais um dia, mais uma carta deixada por aí, quem sabe para fazer alguém sorrir.

 

 

"Olá estranho/a,

 

Queria tirar alguns minutos para te encorajar e lembrar-te do quão ESPETACULAR tu és.

 

Não conheço as tuas lutas, mas sei que, como eu, batalhas de alguma forma. Dia após dia. Então peço-te: não desistas! Aguenta-te! Bem sei que os clichés só irritam, mas é mesmo verdade que um dia a tempestade cessa e a recompensa chega.

 

Estamos no mesmo barco, e todos precisamos de um empurrãozinho de vez em quando… então faz o seguinte: fecha os olhos, endireita-te, inspira bem fundo e SORRI. Porque estás vivo/a, estás aqui e vales a pena.

 

E para terminar… porque todos precisamos de um sorriso e um abraço de vez em quando, aqui vai um de cada, só para ti  -> :) O <-

 

 

Com a maior amizade…

Alguém que acredita em ti."

 

 

[o mundo é realmente pequeno, e acabei por saber que pelo menos esta carta chegou a alguém... e subitamente fui feliz]

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Por aí... #4

por Catarina d´Oliveira, em 16.05.14

 

If all else perished, and he remained, I should still continue to be;

and if all else remained, and he were annihilated, the universe would turn to a mighty stranger.”
Emily Brontë

 

 

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Cartas para Estranhos #1

por Catarina d´Oliveira, em 14.05.14

 

Acho que vivemos num mundo com pouca esperança e crença em si mesmo. Passamos a vida a correr de um lado para o outro, com a cabeça enfiada no chão e nunca paramos para olhar e apreciar o que se passa, incluíndo todas as outras pessoas que seriam capazes de nos ajudar a ultrapassar tudo isto.

 

A vida é difícil, mas é difícil para todos. O que faz falta - creio eu - é a capacidade de tirarmos uns breves momentos para estarmos lá uns para os outros, para nos apoiarmos. Em resumo, talvez nos faltem cartas de amor - românticas, de amizade, de apoio, de companheirismo.

 

Resolvi, como outros fizeram antes de mim, dar um passo contra a corrente. E a partir de hoje, as minhas cartas e a minha amizade ficará espalhada por aí. Aqui fica a primeira de muitas.

 

 

 

"Olá Estranho/a,

 

Esta carta é para ti, justamente porque não queria que te sentisses sozinho/a num dia tão bonito como este. Isto porque sou exatamente como tu... tenho sonhos, ambições, objetivos por concretizar... mas, às vezes, a vida põe-nos obstáculos tramados pelo caminho.

 

Mas quero que saibas, mais do que qualquer outra coisa, que por casa desafio e barreira que ultrapassares, não só lhe podes atirar um valente "TOMA LÁ, VIDA SACANA!", como te vais tornar cada vez mais sábio/a e forte.

 

Vais ser capaz se te esforçares e se NUNCA DESISTIRES.

 

Tu tens valor, aqui, no mundo. Estás aqui por alguma razão, para cumprir uma missão - a tua.

 

Não deites fora as tuas ambições, os teus sonhos.

Não TE deites fora.

 

 

De alguém que acredita em ti."

 

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À família que se escolhe

por Catarina d´Oliveira, em 06.05.14

'We'll be Friends Forever, won't we, Pooh?' asked Piglet.
'Even longer' Pooh answered

(A.A. Milne, "Winnie the Pooh")

 

 

Não há grandes filosofias ou contra-teorias que se possam tecer à volta do facto absoluto de que a família não se escolhe. É assim, e assim devemos aceitar. Mas não estou aqui para vos falar desse grupo de pessoas que faz irremediavelmente parte da nossa vida sem que nisso tenhamos qualquer tipo de dizer - e quero aqui atentar que de um modo geral me sinto bem preenchida com a minha "matilha", e que sei reconhecer a sorte que tenho nessa realização.

 

Hoje venho falar da segunda família, que em casos raros de alinhamento de corpos celestes, existe como sendo parte da primeira. Não falo do grupo de 500 conhecidos à laia do Facebook, ou daquela coleção de 20-30 amigos que são personagens recorrentes nas saídas, nos encontros, nas festas e noutros viveres vários. Falo do grupo restrito de pessoas que contas pelos dedos de uma mão - ou, se fores extremamente sortudo de duas - que existem na tua vida como se de teu sangue se tratassem.

 

E o que quero aqui fazer não é mais do que tirar um momento - que, é verdade, se envergonha perante a sua grandeza, mas é tudo o que tenho agora para oferecer - para celebrar essas pessoas. Este post não é dirigido apenas a uma delas, mas tomo a liberdade de reservar algumas linhas a um plano individual que reflete um outro plano geral.

 

No outro dia, sem razão específica mas por todos os motivos, resolvi mostrar ao D. o quanto reconheço a importância dele na minha vida. É um irmão, daqueles que às vezes acaba por levar por tabela mesmo sem merecer, e que mesmo na imperfeição da sua dedicação - porque não há devoções e diligências perfeitas - sempre esteve aqui. Foi um gesto humilde e incomparável a qualquer coisa que tenhamos partilhado juntos, mas o tipo tem um fascínio por gomas como nunca vi em ninguém. Então foi isso que decidi oferecer-lhe, sem agenda secundária.

 

 

É importante que saibamos fazer isto. Celebrar o que temos, ou antes quem temos. Da forma que pudermos e estiver ao nosso alcance. Não só apoiar ou divertir, mas especialmente honrar sem ocasião especial. Daqui para a frente também eu tentarei fazê-lo mais, tanto para com o D., como para um punhado de outros que hoje continuarão aqui anónimos.

 

No final de contas, este é realmente um processo mútuo, porque não só tu tens o poder de escolha, como todas as outras pessoas. E uma parte do meu coração está plenamente cheia porque algumas dessas pessoas que escolhi, me escolheram também de volta. Assim se constrói uma família.

 

Obrigada a quem foi ficando e hoje ainda cá está.

 

 

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Por aí... #1

por Catarina d´Oliveira, em 04.05.14

 

"Love is the voice under all silences, the hope which has no opposite in fear;
the strength so strong mere force is feebleness:
the truth more first than sun, more last than star."
e.e. cummings

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A voz distinta do senhor Joaquim

por Catarina d´Oliveira, em 26.04.14

Na rua atolada de formiguinhas atarefadas - a correr para o trabalho, para o almoço, para as compras - ouvia-se uma voz distinta a cantar aquilo que me pareceu um fado arraçado de cigano - sem que exista nesta expressão qualquer tipo de condenação ou maledicência anexada.

 

Segui até à origem das notas que rasgavam o ar já morninho de um dia de Primavera, cheguei-me ao pé dele e perguntei: "oh amigo... diga-me lá, já comeu hoje?".

 

Reparei que ficou meio confuso, mas lá me respondeu com meio sorriso que sim. "E já almoçou? Não quer vir almoçar comigo? Sempre me fazia ali companhia...".

 

Nesta altura então o Joaquim - era assim que se chamava - deve ter achado que eu era maluquinha. Completamente passada da marmita. Disse-me que não era preciso, que estava bem, e perguntou-me a razão do convite.

 

 

"Olhe porque me apetecia fazer uma coisa simpática por alguém. E gostava ouvir a sua história. Mas se não lhe apetece almoçar posso-lhe fazer companhia durante um bocadinho! Pode ser?".

 

Desta vez já não levei nega. Aproximei-me do aparato da bicibleta, três cães e um grande funil que fazia de megafone improvisado para desbravar algum terreno da história do Joaquim.

 

As aparências iludem, pelos vistos, porque felizmente não chama casa à calçada bonita mas gelada da capital. Vive numa loja perto de Santa Apolónia, onde diz guardar uma mota e outras bicicletas como a que hoje o trouxe até à Baixa.

 

"Fui carpinteiro durante mais de 30 anos... mas às tantas comecei a odiar a minha própria arte. Mesmo quando fazemos algo que gostamos muito... quando não somos recompensados, começamos a ficar cansados". 

 

Intrigada com o facto de estar pela rua, comentei a medo: "tem uma voz muito bonita! Mas porque é que está aqui então Joaquim?". Encolheu os ombros. "Gosto da vida que tenho agora... É um pouco solitária às vezes... mas eu gosto. Gosto de cantar, de ver as pessoas... e acho que os estrangeiros gostam de mim!".

 

Durante aquilo que me pareceu quase uma hora ali ficamos a trocar ideias e histórias. Acabei eu mesma por partilhar vivências com ele, o que não esperava que acontecesse, até porque me fez esquecer de atualizar o caderninho que agora carrego sempre para tirar nota destas histórias e estórias que vou ouvindo.

 

Passamos pelo amor, pela juventude, pelo trabalho, pelos estudos, pela família - o Joaquim tem uma filha de saúde! - e novamente voltamos ao amor. "Isto não é só no trabalho... no amor também, especialmente. Temos de nos dar ao outro, mas não nos podemos entregar por completo. Isso é muito perigoso".

 

Assenti sem comentar nada e continuei a ouvi-lo falar do amor de antigamente e de hoje, de corações amados e despedaçados, que parecem igualmente ameaçados pelos "prazeres do momento que hoje as pessoas colocam à frente das coisas realmente importantes", como me descreveu ele. 

 

"Não sei bem se acredito nisto... mas um amigo meu disse-me há pouco tempo que acha que não existe apenas uma pessoa certa para cada um de nós... mas uma pessoa certa para cada momento distinto. Eu sou completamente da velha guarda, que acredita no 'para sempre', na 'única pessoa que te completa'... mas acho que o que ele diz faz sentido de certa forma", disse-lhe eu. Coçou a cabeça e concordou que era uma coisa bem vista. "Mas tu ainda vais voltar a encontrar alguém!", garantiu-me ele com uma segurança que, por um flash de momento, me fez sentir completamente abrigada de tudo.

 

 

Ficámos ali ainda, um bom pedaço, em silêncio, a ver as pessoas passar. Olhei para as horas e vi que me tinha deixado levar pelo prazer de uma boa partilha e que estava, para não variar, atrasada. Quando ia já a meia volta da partida, o Joaquim levantou-se, veio dar-me um abraço e um beijinho, despedindo-se e dizendo que "soube muito bem este bocadinho de conversa. Acho que me sinto melhor do que de manhã, nem sei bem porquê, mas obrigado".

 

Não há que agradecer, porque o que quer que pensava que ia oferecer ao Joaquim quando fui falar com ele, também recebi de volta.

 

 

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Olhar para a vida, cá dentro

por Catarina d´Oliveira, em 24.04.14

Sabemos sempre, mas parece que esquecemos vezes demais.

 

De quando em quando, a melhor partilha, a melhor pequena aventura, a maior felicidade do dia... está mesmo ao teu lado. Na tua casa, separada por uma mera porta. 

 

Hoje quero celebrar tudo o que tenho, em particular o meu sobrinho F., que todos os dias me ama incondicionalmente - mesmo quando faz birra.

 

 

Quando voltei de umas férias de nove dias e o reencontrei na sala, meio adoentado, a ver um episódio do Homem-Aranha e a jogar Nintendo DS, largou tudo o que estava a fazer e correu a abraçar-me. "Cata'iiiiina!!! Estava cheio de saudades tuas!!".

 

Derreti por completo. Ou tenho estado derretida desde que ele nasceu... Há mesmo Amores maiores do que a vida.

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O Manifesto

por Catarina d´Oliveira, em 22.04.14

És mestre e dono da tua alma, do teu corpo. Sente-o. Sente-o bem, e de verdade. E quando fores capaz de o sentir - que nem sempre é fácil ou intuitivo - podes dar-te aos outros, e amá-los.

 

Faz sem que te peçam ou te ofereçam algo em troca. Oferece-TE a quem mais precisa, e desprega-te das coisas que, na mais honesta das realidades, não necessitas para ser feliz.

 

Não espalhes ódios, nem injustiças, nem o desconforto, mesmo que, nos momentos de limite que a vida vai multiplicando pelo teu caminho, seja só isso que sentes e que queres obrigar os outros a sentir. Semeia as coisas boas, positivas, a alegria de estar aqui e agora. Não guardes rancor e perdoa. Perdoa sempre.

 

Sê tu, inteiro, em paz com o que és, e depois partilha com o mundo. Porque a felicidade só é real quando é partilhada.

 

 

Autoretrato de Chris McCandless, o original Alexander Supertramp de "Into the Wild" e da vida.

Uma história verídica (e imperdível) escrita por Jon Krakauer e adaptada ao cinema por Sean Penn.

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