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À família que se escolhe

por Catarina d´Oliveira, em 06.05.14

'We'll be Friends Forever, won't we, Pooh?' asked Piglet.
'Even longer' Pooh answered

(A.A. Milne, "Winnie the Pooh")

 

 

Não há grandes filosofias ou contra-teorias que se possam tecer à volta do facto absoluto de que a família não se escolhe. É assim, e assim devemos aceitar. Mas não estou aqui para vos falar desse grupo de pessoas que faz irremediavelmente parte da nossa vida sem que nisso tenhamos qualquer tipo de dizer - e quero aqui atentar que de um modo geral me sinto bem preenchida com a minha "matilha", e que sei reconhecer a sorte que tenho nessa realização.

 

Hoje venho falar da segunda família, que em casos raros de alinhamento de corpos celestes, existe como sendo parte da primeira. Não falo do grupo de 500 conhecidos à laia do Facebook, ou daquela coleção de 20-30 amigos que são personagens recorrentes nas saídas, nos encontros, nas festas e noutros viveres vários. Falo do grupo restrito de pessoas que contas pelos dedos de uma mão - ou, se fores extremamente sortudo de duas - que existem na tua vida como se de teu sangue se tratassem.

 

E o que quero aqui fazer não é mais do que tirar um momento - que, é verdade, se envergonha perante a sua grandeza, mas é tudo o que tenho agora para oferecer - para celebrar essas pessoas. Este post não é dirigido apenas a uma delas, mas tomo a liberdade de reservar algumas linhas a um plano individual que reflete um outro plano geral.

 

No outro dia, sem razão específica mas por todos os motivos, resolvi mostrar ao D. o quanto reconheço a importância dele na minha vida. É um irmão, daqueles que às vezes acaba por levar por tabela mesmo sem merecer, e que mesmo na imperfeição da sua dedicação - porque não há devoções e diligências perfeitas - sempre esteve aqui. Foi um gesto humilde e incomparável a qualquer coisa que tenhamos partilhado juntos, mas o tipo tem um fascínio por gomas como nunca vi em ninguém. Então foi isso que decidi oferecer-lhe, sem agenda secundária.

 

 

É importante que saibamos fazer isto. Celebrar o que temos, ou antes quem temos. Da forma que pudermos e estiver ao nosso alcance. Não só apoiar ou divertir, mas especialmente honrar sem ocasião especial. Daqui para a frente também eu tentarei fazê-lo mais, tanto para com o D., como para um punhado de outros que hoje continuarão aqui anónimos.

 

No final de contas, este é realmente um processo mútuo, porque não só tu tens o poder de escolha, como todas as outras pessoas. E uma parte do meu coração está plenamente cheia porque algumas dessas pessoas que escolhi, me escolheram também de volta. Assim se constrói uma família.

 

Obrigada a quem foi ficando e hoje ainda cá está.

 

 

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