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À volta do Mundo - República Dominicana

por Catarina d´Oliveira, em 11.05.15

Aqui há dias, voltei de férias nas Caraíbas.

 

Ora aí está uma asserção absolutamente desinteressante do ponto de vista humano. Sol, praia e mar são elixir para a (minha) alma, mas uma viagem com estadia num daqueles resorts turísticos até ao tutano não é, de todo, a minha definição de aventura - por mais proveitoso que tenha sido (e foi) para o meu cérebro hiperativo.

 

Mas o poder de transformar algo insuspeito numa experiência com significado está sempre nas nossas mãos, e apesar de a incursão pela "verdadeira" República Dominicana ter sido um fugaz escape da artificialidade do resort, deixou um travo mais do que suficiente para a sofreguidão louca pelo regresso.

 

Parte do lote mais conhecido por "Caraíbas", a R.D. permite, como creio que aconteça na maior parte das outras ilhas, a observação de uma incongruência económica absolutamente dolorosa - a nação é extremamente pobre, mas habituada a servir (e bem) o poder de estrangeiros com ordenados mensais superiores aos seus vencimentos anuais.

 

Com um salário médio que não chega aos 300€/mês (o mínimo mal ultrapassa os 200€), os dominicanos vivem face à dificuldade sem qualquer apoio do Estado mas com um sorriso permanente no rosto. Como costumam dizer, o único apoio que podem procurar é o do núcleo familiar, e por isso mesmo acreditam na "lei tradicional" da necessidade dos quatro filhos: porque, como nos contaram por lá, existe assim a proporção correta de dois bons ajudantes, e dois mais preguiçosos, e assim ninguém fica pendurado.

 

A simpatia, boa disposição e abertura de povos com cicatrizes e dores tão recentes deixa-me sempre espantada perante a frieza que muitas vezes denoto na nossa Europa. E é verdade que são especialistas de raça pura no negócio do turismo, mas é a honesta paixão pelo pedaço de terra rodeado de mar (a meias com o Haiti) a que chamam casa, que transparece como o seu maior charme. Isto e os lugares perdidos no meio de quilómetros e quilómetros de verde, onde se escondem plantações de café, cacau e frutos exóticos, e onde cada colheita é tratada com o cuidado de um filho. A terra, que lhes dá sustento e sabor além da fama da qualidade dos produtos, merece o seu respeito eterno.

 

E a R.D. é muito mais do que um risco na bucket list a dizer que "já fui às Caraíbas".

 

A R.D. é uma nação de sorrisos, de um copo de Rum para beber numa mão  e outro para oferecer na outra, de bondade, de delicioso frango com arroz e feijão, de florestas de cortar a respiração, de praias escondidas que fazem corar as dos postais, de felicidade e de pessoas alegres porque sabem saborear o que a vida tem de realmente importante.

 

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Dizer que conhecemos um país quando lá passámos uma semana ou dez dias é um disserviço, e uma mentira absoluta. Porque não estudámos os recantos, não visitámos os refúgios que as agências de turismo não cobrem, não ouvimos pacientemente as histórias e estórias das pessoas que carregam aquela história nas veias.

 

Eu visitei uma parte da República Dominicana, e apesar de ter ouvido algumas histórias sobre a sua cultura e alma, não pretendo passar a ideia de que a conheço.

 

Isso fica na promessa obrigatória do futuro, juntamente com um brinde regado à celebre Mama Juana - uma das mais famosas bebidas nacionais.

 

Porque não consigo não querer saber mais.

 

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