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Do dia em que quem recebeu uma carta... fui eu!

por Catarina d´Oliveira, em 07.10.15

Por vezes, é difícil perceber em que medida é que aquilo que fazemos acaba por afetar os outros - seja no ato mais grandioso ou no mais humilde, ou seja no espírito mais positivo ou mais negativo. Há, no entanto, uma série de sinais, de confirmações e de afirmações que vamos recebendo pelo caminho que nos vão assegurando por onde seguir. Linhas que nos guiam, forças que nos apoiam, vozes que nos confortam.

 

Foi quando passava mais um dos meus inescapáveis momentos de diminuição de fé humana que tive mais uma prova resoluta daquilo que devo fazer e continuar a procurar. Quando passei por mais um momento de dúvida, alguém que nada tem de invisível mas apenas um pouco de desconhecido esteve lá para dar-me a mão e relembrar-me de tudo o que vale a pena.

 

Foi nesse dia, em mais uma ação de voluntariado de sábado à noite, que foi a minha vez de receber uma carta.

 

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Olá,

 

Sim, esta carta é para ti tal como as que deixas para outros.

 

Desculpa, escrevo na máquina de escrever deste século, mas é que perdi a confiança na escrita "à mão" tal como perdi a confiança no desenho "à mão" que já foi a minha arte. Mas é só uma questão de forma, o importante é, claro, o conteúdo! Além de que tenho péssima letra :)

 

Tenho uma admiração por ti, pela tua liberdade de estar na vida. É preciso ter coragem (muita) para se viver assim. Quero que saibas que acho que é assim que se vive. Seja lá o que te digam ou que já disseram ou venham a dizer. Nascemos livres, cheios de bons sentimentos que podem navegar muito além deste "calhau" que está algures no Universo. Parece que, de alguma forma, vamos perdendo isso e vence a "necessidade" de sermos menos livres, menos sinceros e termos menos bons sentimentos. Ou seja, sermos menos.

 

Há mais pessoas como tu. É isso que quero que saibas. Não estás sozinha, não és inadaptada ou "de outro planeta". Este é o teu (nosso) planeta que demorou milhões de anos para se formar até poder receber pessoas como tu. Agora é só limar este "calhau" até torná-lo num jardim.

Continua pois é isso que estás a fazer neste momento.

 

Um abraço deste teu pouco conhecido colega,

Eu

 

 

Não há nada mais que possa fazer ao colega que a escreveu - e que ainda não sei quem é mas que vou tentar descobrir a careca! :P - do que agradecer profundamente o humilde salvamento.

 

Mentira... há algo mais que posso fazer... continuar !

 

 

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Por aí... #18

por Catarina d´Oliveira, em 08.09.15

 

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You build on failure. You use it as a stepping stone. Close the door on the past.

You don’t try to forget the mistakes, but you don’t dwell on it.

You don’t let it have any of your energy, or any of your time, or any of your space” 

- Johnny Cash

 

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Cartas para Estranhos #14

por Catarina d´Oliveira, em 03.09.15

Não há nada que possamos fazer de bom que necessite ser justificado.

 

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"Querido/a Estranho/a,

Provavelmente nunca nos conhecemos, mas achei que podia deixar-te isto de qualquer forma.

Não sei se alguém já to disse hoje ou nos últimos tempos, mas tu és uma pessoa fantástica e extremamente bonita. Não deixes que te mudem de acordo com o que acham certo ou convencional. Sê destemidamente autêntico/a.

O dia pode estar gelado e não aparentar ter fim, mas mantém a cabeça levantada e sorri. Os dias mais claros e quentes vêm a caminho.

Há coisas grandes à tua espera. Avança sabendo SEMPRE que és ESPECIAL.



De uma pessoa como tu"

 

 

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Cartas para Estranhos #9

por Catarina d´Oliveira, em 13.05.15

Se a vida é macaca, então os obstáculos que nos coloca no caminho são, por vezes e certamente, gorilas mutantes. Resta-nos fazer todos os dias o melhor que podemos para, além de sobreviver, continuar a VIVER. E é bom que nos lembremos, ocasionalmente, que somos todos enormes guerreiros.

 

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"Querido/a estranho/a,

Não quero que passe nem mais um minuto sem que te congratulem por teres ultrapassado todas as experiências que a vida pôs no teu caminho. Por tudo aquilo a que sobreviveste. Por toda a dor que suportaste, pela solidão que aguentaste por vezes. Estás a portar-te estupendamente bem!

Até este momento manténs o record de 100% de sobrevivência!

E com isto lembra-te sempre: não importa quão más as coisas estão - continua a ser corajoso/a e valente. Deixa que as pessoas te ajudem, e ajuda-as tu também. São os laços que nos unem que, no final de contas, nos salvam.

Tem uma ótima vida!


De uma estranha como tu"

 

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Por aí... #15

por Catarina d´Oliveira, em 07.04.15

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“You can cut all the flowers but you cannot keep Spring from coming.”
Pablo Neruda

 

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No I.P.O. não há doença: há vida e esperança

por Catarina d´Oliveira, em 03.06.14

Não são raras as vezes em que temos de relativizar as coisas. Ou, pelo menos, devíamos.

 

Tirar uns minutos para parar, sair da bolha de absorção que é a nossa vida quotidiana e olhar à volta. Se o fizermos, não só temos oportunidade de ver coisas que nunca tínhamos visto, como também nos possibilitamos a encontrar "acidentalmente" quem não nos faça sentir tão sozinhos, quem nos ensine mais do que julgávamos poder saber, quem nos mostre que na tragédia grega que é a vida há sempre lugar para a esperança, para o sorriso e para o Amor.

 

Hoje fui até ao I.P.O., e foi lá que conheci uma senhora a quem daqui em diante tratarei por B.

 

 

O dia está soalheiro, e pelos jardins do Instituto espalham-se histórias que nunca ficarão por contar - ainda que não seja por mim. A B. estava sentada no banco onde também me acomodei, e enquanto me instalava ouvia-a indistintamente numa conversa animada ao telemóvel. Quando terminou, resolvi meter conversa.

 

"Desculpe meter-me... mas depreendo que tenha aqui alguém, e só lhe quero dizer que fico muito feliz por as coisas estarem a correr bem". Surpreendida, olhou para mim, sorriu e respondeu: "Sim! A minha filha... só tem oito aninhos, mas já anda a batalhar desde os seis. É a pessoa mais corajosa que conheço".

 

Sem querer parecer grosseira ou intrusiva, questionei a B. sobre a jornada até hoje, desde a instalação do terror até ao final que até agora tem tudo para ser feliz. "Sabe... eu achava que já tinha apanhado uns sustos valentes na vida, mas só naquele momento é que percebi a verdadeira definição de medo. Quando os médicos falaram comigo, senti que tudo desapareceu à minha volta. Já não ouvia nada, não via nada, não sentia nada. Depois o pavor começou a crescer".

 

Vieram as segundas opiniões - necessárias apenas para assegurar o terror de quem percebia o que se passava - e as sucessivas consultas e consequentes sessões de quimioterapia. "É devastador ver o nosso filho passar por algo assim, mas por outro lado - eu tento sempre ver as coisas pelo lado positivo - serviu para me mostrar o quão forte ela era, mesmo tão pequenina. Foi raro chorar. E mesmo quando se entristecia de não poder sair para brincar com os outros meninos, lá arranjava maneira de se reerguer. Nunca vi nada assim. Foi ela mesma que, muitas das vezes, nos animou a nós".

 

O sorriso continuava lá, ainda que partes da história (que aqui não tenho espaço ou memória para desenvolver com exatidão) fossem tão dolorosas de recordar. "Lembro-me como se fosse hoje que quando ela começou a perder cabelo quase entrei numa espiral depressiva. Talvez só ali algo se tivesse finalmente ativado na minha cabeça... mas mais uma vez ela ensinou-me a sorrir e esperar o melhor mesmo quando todas as luzes parecem apagadas - 'Olha mamã! Agora já não precisas de me enrolar o cabelo com o secador sempre que tomo banho!!'".

 

No final, a B. lá me voltou a relembrar do importante, mesmo que com esta história fosse impossível ficar-lhe indiferente: "Quem olha para ela agora, não diz que já passou por tanto. E nós estamos gratos todos os dias. Apreciamos cada um como se fosse uma jóia, sabe? Porque é mesmo. Isto é tudo muito efémero. Um dia estamos aqui, mas ninguém nos garante que estejamos no seguinte. O único controle que temos nisto tudo é a forma como escolhemos responder às coisas, aos desafios".

 

Depois desta conversa, senti-me simultaneamente esmagada e inspirada pelas coisas boas. Subi até ao sétimo piso do I.P.O. - onde se encontra a secção de Pediatria - procurei a vending machine mais próxima e deixei um pequeno incentivo a quem por lá passar... porque muitas vezes, é na invisibilidade dos atos que nos sentimos fortalecidos.

 

 

 

Deixarei outra história para outro dia, mas não termino este post sem vos (e me) recordar do que realmente importa. A vida acontece a todos nós, e estou certa que é por ser tão frágil e por vezes tão dura connosco que toma um valor transcendente, que nunca existiria num Éden povoado por imortais.

 

Estamos aqui e agora. Não deixem que seja preciso uma tragédia ou a iminência dela para vos mostrar que a lista de coisas que são vitais à vossa vida não é tão longa como nos fazemos crer. Não desistam de procurar o Bom que existe em toda a gente. Não percam a esperança nos outros e em vocês. Parem de procurar a perfeição e aceitem a imperfeição de quem vos quer bem e a vossa também. E por fim, se amam alguém, por favor, digam-lhe. Digam sempre, porque nas contas finais, é tudo o que realmente importa.



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Cartas para Estranhos #4

por Catarina d´Oliveira, em 30.05.14

Infelizmente tenho tido pouco tempo para me dedicar a outro tipo de interações e ações que faziam parte do blog e do projeto quando o idealizei há cerca de um mês. Mas há tempo para tudo, e nas próximas semanas tenho planos de novas façanhas que, a seu tempo, aqui partilharei convosco. Todavia, todos os dias continuo a tentar fazer algo, por mais pequeno que seja.

 

Estas cartas que tenho deixado a estranhos têm, de alguma forma, ajudado muito a tornar os meus dias mais completos, mesmo que nem sempre saiba se alguém as chega a ler. Esta foi mais uma, a quarta, que ficou por aí à espera das mãos certas.

 

 

Olá Estranho/a,

Escrevo-te para te lembrar de uma coisa muito importante: tu tens a possibilidade e o potencial de mudar uma vida. Ou várias!

Tu és capaz de coisas maravilhosas, grandiosas. Coisas que nunca imaginaste possíveis.

Então experimenta coisas que te assustem. Arrisca na tua profissão, dá uma volta à tua vida ou simpesmente diz a alguém o que realmente sentes. Tu consegues! E eu prometo-te que vai valer a pena!

Vai-te a eles!


Um grande abraço,
de uma amiga que ainda não conheceste

 

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Cartas para Estranhos #2

por Catarina d´Oliveira, em 19.05.14

 

Mais um dia, mais uma carta deixada por aí, quem sabe para fazer alguém sorrir.

 

 

"Olá estranho/a,

 

Queria tirar alguns minutos para te encorajar e lembrar-te do quão ESPETACULAR tu és.

 

Não conheço as tuas lutas, mas sei que, como eu, batalhas de alguma forma. Dia após dia. Então peço-te: não desistas! Aguenta-te! Bem sei que os clichés só irritam, mas é mesmo verdade que um dia a tempestade cessa e a recompensa chega.

 

Estamos no mesmo barco, e todos precisamos de um empurrãozinho de vez em quando… então faz o seguinte: fecha os olhos, endireita-te, inspira bem fundo e SORRI. Porque estás vivo/a, estás aqui e vales a pena.

 

E para terminar… porque todos precisamos de um sorriso e um abraço de vez em quando, aqui vai um de cada, só para ti  -> :) O <-

 

 

Com a maior amizade…

Alguém que acredita em ti."

 

 

[o mundo é realmente pequeno, e acabei por saber que pelo menos esta carta chegou a alguém... e subitamente fui feliz]

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