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Conversa Amiga #8

por Catarina d´Oliveira, em 15.10.15

Já lá vão quase três semanas desta saída que relato (por atrasos e preguiças várias), pelo que tentarei descrever tudo o que se passou com o máximo pormenor possível.

 

Cheguei à Associação para a reunião de equipa a meio gás. Não me sentia nos meus dias, mas achei que podia procurar ali o boost de que andava a precisar há tantos dias. Não acontece muitas vezes, mas felizmente nesta ocasião, tive razão.

 

Por lá dedicamo-nos a um curioso exercício de team building onde tínhamos 10 minutos para conversar com dois colegas ao acaso e depois, perante todos, exaltar-lhes duas qualidades que tenhamos captado. Tive sorte em poder trocar dois dedos de conversa com pessoas maravilhosas - a V., mais recatada mas totalmente entregue àquilo em que acredita e ao bem que semeia, e a M. que fiz questão de destacar como "uma pessoa de pessoas", que tem tanto lá dentro que só nos apetece sorver tudo.

 

Sentia-me melhor só por isso, e por saber que, além de colegas, estou entre um grupo de pessoas profundamente humanas, com qualidades e defeitos, mas absolutamente apostadas em dar o melhor de si aos outros e a recolher também os frutos dessa troca. Apesar de os encontros ainda terem sido poucos sinto realmente que tenho ali companheiros, parceiros e sobretudo amigos.

 

À saída, tive o meu segundo impulso - mas sobre este inesperado e feliz acontecimento já vos falei aqui.

 

Seguimos depois até à nossa segunda casa, o Oriente, para mais um serão de conversa. Hoje a estação estava particularmente vazia, o que nos pareceu estranho mas apenas até ao momento em que ouvimos falar de uma reunião/festa que acontecia algures em Vila Franca, e onde muitos dos nossos habituais parceiros de conversa se tinham deslocado.

 

Foi por isso uma noite calma, de pouco alarido, mas de encontros alegres.

 

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Com o senhor J.B. passei a maior parte da noite, e juntos percorremos tudo. É serralheiro, mas no fundo também um faz-tudo. Como a tantos outros, o álcool deixou sequelas, mas nunca desistiu de as combater. Já esteve integrado numa associação de recuperação e era por lá tido como uma referência. Olhavam-no com a admiração de um herói e com a esperança de uma recuperação.

 

Por quezílias que nada tinham a ver com o problema que lá o levou em primeiro lugar, abandonou esse ambiente de segurança, mas prometeu-me que queria voltar por estar farto de deambular sozinho, pela inquietude de alguém que não baixa os braços, e pela crença em si mesmo que mesmo na maior dificuldade, alguma vez deixou de ter.

 

Separou-se da mulher mas deu-lhe tudo, porque acha que tudo o que conseguiu na vida deve transmitir àqueles que ama verdadeiramente. E assim vive ela com a filha, numa casa modesta mas bem composta, de que o J.B. abdicou um dia e voltaria a abdicar em qualquer outro. Foi por esta altura que me confessou que gostava de cantar, e que me mostrou com orgulho uma fotografia amarrotada que traz sempre na carteira. O pai era fadista e famoso no circuito lisboeta. Não se davam particularmente bem, mas às vezes o amor e o orgulho são maiores do que tudo, e o J.B. lembrou-me disso quando começou a falar dele sem parar.

 

A noite fez-se sobretudo desta enorme conversa de vida e de vidas, mas não me vim embora sem um último presente - neste caso, um acaso feliz por forma de um reencontro. Lembram-se do Mateus? Reencontrei-o. E depois de algumas tentativas de o recordar do nosso primeiro encontro, consegui lá chegar. E foi uma alegria. Recebi um segundo abraço ainda mais apertado.

 

Estava bem disposto, com um fato impecável e carregado das rimas e das cantigas de que me lembrava tão bem.

 

E bastou isto para vir para casa a pensar como tudo isto vale mesmo a pena.

 

 

 

 

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Cartas para Estranhos #14

por Catarina d´Oliveira, em 03.09.15

Não há nada que possamos fazer de bom que necessite ser justificado.

 

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"Querido/a Estranho/a,

Provavelmente nunca nos conhecemos, mas achei que podia deixar-te isto de qualquer forma.

Não sei se alguém já to disse hoje ou nos últimos tempos, mas tu és uma pessoa fantástica e extremamente bonita. Não deixes que te mudem de acordo com o que acham certo ou convencional. Sê destemidamente autêntico/a.

O dia pode estar gelado e não aparentar ter fim, mas mantém a cabeça levantada e sorri. Os dias mais claros e quentes vêm a caminho.

Há coisas grandes à tua espera. Avança sabendo SEMPRE que és ESPECIAL.



De uma pessoa como tu"

 

 

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Por aí... #15

por Catarina d´Oliveira, em 07.04.15

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“You can cut all the flowers but you cannot keep Spring from coming.”
Pablo Neruda

 

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Por aí... #12

por Catarina d´Oliveira, em 06.03.15

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This is where it all begins. Everything starts here, today.
― David Nicholls

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Cartas para Estranhos #5

por Catarina d´Oliveira, em 05.09.14

Depois de umas férias, as minhas cartas e a minha amizade vai voltar a ficar espalhada por aí. Ontem aproveitei uma idea a Belém e resolvi deixar rasto. Porque às vezes só precisamos mesmo de um sinal que não estamos sozinhos.

 

 

"Olá Estranho/a,

 

Esta carta é para ti, justamente porque não queria que te sentisses sozinho/a num dia tão bonito como este. Isto porque sou exatamente como tu... tenho sonhos, ambições, objetivos por concretizar... mas, às vezes, a vida põe-nos obstáculos tramados pelo caminho.

 

Mas quero que saibas, mais do que qualquer outra coisa, que por casa desafio e barreira que ultrapassares, não só lhe podes atirar um valente "TOMA LÁ, VIDA SACANA!", como te vais tornar cada vez mais sábio/a e forte.

 

Vais ser capaz se te esforçares e se NUNCA DESISTIRES.

 

Tu tens valor, aqui, no mundo. Estás aqui por alguma razão, para cumprir uma missão - a tua.

 

Não deites fora as tuas ambições, os teus sonhos.

Não TE deites fora.

 

 

De alguém que acredita em ti."

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Até que a morte (n)os separe

por Catarina d´Oliveira, em 05.06.14

[Jardim do I.P.O.]

 

Olhei para o lado e vi-o, a dois bancos de distância. Tinha uma boina pousada na perna direita e uma bengala encostada à perna esquerda. Brincava inconscientemente com um pequeno papel entre os dedos enquanto o olhar andava perdido algures pelo chão e pela amargura da tristeza. Levantei-me e cheguei-me perto.

 

"Importa-se que me sente um bocadinho ao pé de si?". Deu um pequeno salto da quebra da dormência catatónica e arranjou forças para me sorrir e dizer: "claro que não menina... faça favor".

 

Foi esse sorriso, aliado a uma expressão de inequívoca bondade, que me impeliu a perguntar pela sua história, ou antes pela de alguém que é tão parte de si que, numa simbiose perfeita e rara na vida, torna a sua história também a história dele. A história deles.

 

Nos últimos anos, a saúde não tem estado do lado da dona M., a esposa de mais de 50 anos do senhor S. "Nestes últimos tempos tem sido muito difícil menina... e eu já não a consigo ajudar como conseguia, e isso custa muito. Já estamos juntos há muito tempo sabe? E olhe que não foi pêra doce". O que se seguiu foi uma inesperada descrição de peripécias que não pude (nem quis!) interromper. O breve compêndio de uma vida a dois começou no exato momento onde devia - na constatação inescapável do "é ela, é ela a mulher da minha vida" ainda antes dos conhecimentos travados, passando pelas viagens de bicicleta ao fim-de-semana só para a ver, a trabalhosa benção do pai, o casamento comedido, os filhos e até os momentos de dúvida.

 

"Houve duas ou três ocasiões em que pensei mesmo que a gente já tinha dado o que havia para dar... Ora eu me sentia afastado, ora ela... E às vezes foi difícil. Estivemos ali à beira de nos estatelarmos do precipício sabe. Isto de estar muitos anos com a mesma pessoa é muito difícil e a gente às vezes esquece que tem de ralar bem". Para minha surpresa, arranjei coragem para lhe perguntar se alguma vez se tinha sentido arrependido de ter ficado... mas ele nem me deixou acabar a pergunta: "Naaaaaa! Ora essa! Ela nunca deixou de ser a mulher da minha vida. Às vezes vem coisas e uma pessoa pensa coisas diferentes, mas depois lembrava-me sempre, e nunca podia ter estado com outra pessoa".

 

 

Os anos passaram, mas entre dificuldades apareceram felicidades triplicadas. "As nossas netinhas são as coisas mais doces, ora veja lá", disse estendendo-me a carteira onde se via a fotografia de duas meninas a brincar no que me pareceu um parque infantil, mesmo ao lado de uma fotografia de uma senhora. "É ela...?". "Sim...", e os olhos e o coração abriram-se em par.

 

Mas quando se instala a velhice, uma importante parte dos votos de casamento entra em cheque. "É na saúde e na doença, menina. Estou sempre com a minha M., aconteça o que acontecer. E venha o bicho que vier!". Há doenças chatas e cruéis, mas o cancro (sim, fiz questão de escrever em minúsculas) é particularmente perverso não só para a vida que coloca em perigo, mas de todos os que a rodeiam.

 

Segundo os médicos, o bicho não deixa a M. muito mais do que meros meses de vida, mas o espírito de S. não se quebra: "conta tudo até ao fim. Só não quero que ela sofra, e que esteja sozinha... mas isso vou estar cá sempre também. Ela sempre me aturou estes anos todos e sempre me ajudou. Eu só faço o mesmo agora. Todos os dias que for preciso, enquanto me conseguir pôr em pé. Até que a morte nos separe".

 

Reparei que o senhor S. se emocionou ao longo destas últimas frases, e o que senti dentro de mim também nunca vou esquecer. Contraiu-se tudo primeiro, e depois houve uma explosão. Simultaneamente sentia-me a arder e tinha calafrios na espinha, e depois também senti os olhos humedecerem-se. E percebi porquê.

 

Ser testemunha de um Amor assim é um privilégio. E mais uma vez, quando pensei ir ao encontro de uma história de dificuldade e assombro, encontrei uma história de Amor. Por mais voltas que dermos, é sempre aqui, à mais humana de todas as emoções, que acabamos por chegar.

 

Aproximei-me e dei-lhe um abraço. Agradeci-lhe a partilha, agradeci-lhe o enorme Senhor que é (e que não gosta de aderir à moda das selfies da gente nova), e agradeci-lhe por alimentar um Amor em que, hoje em dia, tanta gente parece não querer acreditar. Prometi voltar.

 

Vou voltar.

 

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No I.P.O. não há doença: há vida e esperança

por Catarina d´Oliveira, em 03.06.14

Não são raras as vezes em que temos de relativizar as coisas. Ou, pelo menos, devíamos.

 

Tirar uns minutos para parar, sair da bolha de absorção que é a nossa vida quotidiana e olhar à volta. Se o fizermos, não só temos oportunidade de ver coisas que nunca tínhamos visto, como também nos possibilitamos a encontrar "acidentalmente" quem não nos faça sentir tão sozinhos, quem nos ensine mais do que julgávamos poder saber, quem nos mostre que na tragédia grega que é a vida há sempre lugar para a esperança, para o sorriso e para o Amor.

 

Hoje fui até ao I.P.O., e foi lá que conheci uma senhora a quem daqui em diante tratarei por B.

 

 

O dia está soalheiro, e pelos jardins do Instituto espalham-se histórias que nunca ficarão por contar - ainda que não seja por mim. A B. estava sentada no banco onde também me acomodei, e enquanto me instalava ouvia-a indistintamente numa conversa animada ao telemóvel. Quando terminou, resolvi meter conversa.

 

"Desculpe meter-me... mas depreendo que tenha aqui alguém, e só lhe quero dizer que fico muito feliz por as coisas estarem a correr bem". Surpreendida, olhou para mim, sorriu e respondeu: "Sim! A minha filha... só tem oito aninhos, mas já anda a batalhar desde os seis. É a pessoa mais corajosa que conheço".

 

Sem querer parecer grosseira ou intrusiva, questionei a B. sobre a jornada até hoje, desde a instalação do terror até ao final que até agora tem tudo para ser feliz. "Sabe... eu achava que já tinha apanhado uns sustos valentes na vida, mas só naquele momento é que percebi a verdadeira definição de medo. Quando os médicos falaram comigo, senti que tudo desapareceu à minha volta. Já não ouvia nada, não via nada, não sentia nada. Depois o pavor começou a crescer".

 

Vieram as segundas opiniões - necessárias apenas para assegurar o terror de quem percebia o que se passava - e as sucessivas consultas e consequentes sessões de quimioterapia. "É devastador ver o nosso filho passar por algo assim, mas por outro lado - eu tento sempre ver as coisas pelo lado positivo - serviu para me mostrar o quão forte ela era, mesmo tão pequenina. Foi raro chorar. E mesmo quando se entristecia de não poder sair para brincar com os outros meninos, lá arranjava maneira de se reerguer. Nunca vi nada assim. Foi ela mesma que, muitas das vezes, nos animou a nós".

 

O sorriso continuava lá, ainda que partes da história (que aqui não tenho espaço ou memória para desenvolver com exatidão) fossem tão dolorosas de recordar. "Lembro-me como se fosse hoje que quando ela começou a perder cabelo quase entrei numa espiral depressiva. Talvez só ali algo se tivesse finalmente ativado na minha cabeça... mas mais uma vez ela ensinou-me a sorrir e esperar o melhor mesmo quando todas as luzes parecem apagadas - 'Olha mamã! Agora já não precisas de me enrolar o cabelo com o secador sempre que tomo banho!!'".

 

No final, a B. lá me voltou a relembrar do importante, mesmo que com esta história fosse impossível ficar-lhe indiferente: "Quem olha para ela agora, não diz que já passou por tanto. E nós estamos gratos todos os dias. Apreciamos cada um como se fosse uma jóia, sabe? Porque é mesmo. Isto é tudo muito efémero. Um dia estamos aqui, mas ninguém nos garante que estejamos no seguinte. O único controle que temos nisto tudo é a forma como escolhemos responder às coisas, aos desafios".

 

Depois desta conversa, senti-me simultaneamente esmagada e inspirada pelas coisas boas. Subi até ao sétimo piso do I.P.O. - onde se encontra a secção de Pediatria - procurei a vending machine mais próxima e deixei um pequeno incentivo a quem por lá passar... porque muitas vezes, é na invisibilidade dos atos que nos sentimos fortalecidos.

 

 

 

Deixarei outra história para outro dia, mas não termino este post sem vos (e me) recordar do que realmente importa. A vida acontece a todos nós, e estou certa que é por ser tão frágil e por vezes tão dura connosco que toma um valor transcendente, que nunca existiria num Éden povoado por imortais.

 

Estamos aqui e agora. Não deixem que seja preciso uma tragédia ou a iminência dela para vos mostrar que a lista de coisas que são vitais à vossa vida não é tão longa como nos fazemos crer. Não desistam de procurar o Bom que existe em toda a gente. Não percam a esperança nos outros e em vocês. Parem de procurar a perfeição e aceitem a imperfeição de quem vos quer bem e a vossa também. E por fim, se amam alguém, por favor, digam-lhe. Digam sempre, porque nas contas finais, é tudo o que realmente importa.



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Cartas para Estranhos #3

por Catarina d´Oliveira, em 27.05.14

Porque sabe mesmo bem saber que não estamos sozinhos nesta aventura da vida...

 

 

Olá estranho/a,

Fico muito feliz por teres tomado a iniciativa de abrir e ler esta carta. Estava mesmo a pensar na quantidade assustadora de mãos às quais ela podia ter ido parar... e, no entanto, veio direitinha para ti. Talvez isso mostre que, afinal, isto não é tudo uma macabra obra do acaso e que a vida funciona, de facto, de formas misteriosas.

Posto isto, tenho um desafio para ti: abraça o dia de hoje.

És uma pessoa fantástica e amada, por isso ilumina a sala com o teu sorriso. Tira algum tempo para ti e passeia, vê um filme, bebe uns copos com os amigos.

Perdoa-te, e aos outros. Ri, sorri e ama. Sempre. Faz cada dia contar, a partir de agora.

 

 

Terei sempre um imenso orgulho em ti.

 

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Cartas para Estranhos #1

por Catarina d´Oliveira, em 14.05.14

 

Acho que vivemos num mundo com pouca esperança e crença em si mesmo. Passamos a vida a correr de um lado para o outro, com a cabeça enfiada no chão e nunca paramos para olhar e apreciar o que se passa, incluíndo todas as outras pessoas que seriam capazes de nos ajudar a ultrapassar tudo isto.

 

A vida é difícil, mas é difícil para todos. O que faz falta - creio eu - é a capacidade de tirarmos uns breves momentos para estarmos lá uns para os outros, para nos apoiarmos. Em resumo, talvez nos faltem cartas de amor - românticas, de amizade, de apoio, de companheirismo.

 

Resolvi, como outros fizeram antes de mim, dar um passo contra a corrente. E a partir de hoje, as minhas cartas e a minha amizade ficará espalhada por aí. Aqui fica a primeira de muitas.

 

 

 

"Olá Estranho/a,

 

Esta carta é para ti, justamente porque não queria que te sentisses sozinho/a num dia tão bonito como este. Isto porque sou exatamente como tu... tenho sonhos, ambições, objetivos por concretizar... mas, às vezes, a vida põe-nos obstáculos tramados pelo caminho.

 

Mas quero que saibas, mais do que qualquer outra coisa, que por casa desafio e barreira que ultrapassares, não só lhe podes atirar um valente "TOMA LÁ, VIDA SACANA!", como te vais tornar cada vez mais sábio/a e forte.

 

Vais ser capaz se te esforçares e se NUNCA DESISTIRES.

 

Tu tens valor, aqui, no mundo. Estás aqui por alguma razão, para cumprir uma missão - a tua.

 

Não deites fora as tuas ambições, os teus sonhos.

Não TE deites fora.

 

 

De alguém que acredita em ti."

 

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Uma Noite Diferente

por Catarina d´Oliveira, em 02.05.14

Não acredito que a juventude esteja perdida - antes pelo contrário - mas lá que às vezes tem pouca imaginação, isso tem.

 

Entre reuniões para copos, para jantares de anos, praias ou para saídas à noite, o tempo que sobra para aparecerem outras ideias é, bom, inexistente. Mas às vezes vale a pena pensar nele, e em alternativas, e fazer coisas diferentes.

 

Ontem convidei um grupo de amigos meus para "uma noite diferente". Como é meu hábito, organizei tudo pessimamente, mas ficou o desejo de repetir - com mais cuidado e planeamento. Mas pondo de parte a natureza pouco preceituada do evento, todos partimos para a noite de ontem com um espírito diferente de todas as outras, e quero acreditar que nos fomos deitar da mesma forma.

 

 

Com mantas às costas, uns sacos de bolachas e um punhado de euros que usamos para nos abastecer de hamburgueres, fomos passear por Lisboa e distribuir o que tínhamos por alguém que realmente precisasse. "Não resolve nenhum dos problemas deles!" dirá muita gente. E evidentemente que não lhes tiro a razão. Mas às vezes estamos tão ocupados a pensar em coisas tão maiores que nós que não paramos para refletir no quão fácil é fazer alguém sorrir ou sentir-se importante e acarinhado.

 

Entre outras pessoas que encontramos e que não conseguimos decorar os nomes, conhecemos o Tony que de cabelo grisalho e camisola gasta do Benfica passava bem por Jorge Jesus, e além da vitória do seu clube ontem ainda levou para "casa" um gesto de amizade de um grupo de putos que se juntou à noite. Também encontramos o Jorge, que com enorme gratidão nos disse "isto foi a coisa mais simpática que fizeram por mim hoje... obrigado". E, claro, não podemos esquecer o Mateus, escritor e poeta, que além de partilhar connosco alguns dos seus escritos e canções favoritas, ainda teve tempo para nos contar sobre a vida honesta que tenta levar na rua, da mulher e a filha que ama, e o vício que ameaçou deitar tudo por terra e finalmente na esperança - em tudo e todos - que é, como nos disse com cara de quem sabe do que fala e do que sofreu, "a última a morrer".

 

Para nós que lá estivemos, também é. Foi, aliás, a esperança que nos juntou ontem e, espero eu, muitas outras vezes. A esperança de coisas melhores para todos, de pequenos gestos que podem mudar a perspetiva de um dia ou uma semana inteira. A esperança de que se formos todos um bocadinho mais simpáticos uns para os outros isto torna-se num lugar muito melhor.

 

Pode não ser sempre assim, ou da forma que melhor o recordamos, mas às vezes é com pequenos gestos que se começa a mudar o mundo.

 

[Na imagem, uma parte do nosso grupo, e o grande Mateus]

 

Aos que se aventuraram comigo ontem - David, Raquel, Jessica, Rita, Margarida, Ana, Tiago, Gonçalo, João - o maior obrigada do mundo não chega.

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