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A dona Ivone aceitou as minhas flores

por Catarina d´Oliveira, em 23.04.14

Aproveitei que estava numa rua movimentada para comprar um ramo de flores. Pensei, motivada: "vou oferecer isto a alguém que não conheço, só para lhe alegrar um bocadinho o dia, com uma coisa bonita!".

 

De mochila às costas e ramo de flores na mão, comecei a andar à procura da 'pessoa' certa - na verdade ela não existe, mas que esperava genuinamente que, quem quer que fosse, não me desse um não redondo, logo à primeira.

 

Vi um casal adorável de senhores ingleses. Aproximei-me e mal tive tempo de articular as palavras... deviam pensar que ia vender ou pedir alguma coisa. Só tive tempo de, já meia de costas, lhes atirar "don't forget to love each other and be happy". Que coisa mais parva... estava a dizer a um casal de octogenários para se amarem, como se já não tivessem feito isso a vida toda, incluíndo naquele exato momento em que os abordei, quando estavam de mãos dadas a segredar qualquer coisa que parecia malandra.

 

Continuei em frente.

 

Voltei a aventurar com uma senhora que estava a sorrir - pessoas que sorriem são sempre um bom presságio. "Oh menina eu aceitava com muito gosto, mas vou andar aqui o dia todo... dê a alguém que vá para casa!".

 

Estava a ficar desmotivada, e o meu ramo era bem bonito... que diabo! Até que apareceu a Ivone.

 

Quando a abordei e lhe disse que queria apenas dar-lhe o ramo de flores para fazer algo simpático por alguém, deu uma gargalhada primeiro e disse que devia ter sido um apaixonado que me tinha dado aquilo, e que eu agora estava a tentar descartar. Fez-me rir, a observação, mas assegurei-lhe que não: que tinha comprado aquele ramo exclusivamente para dar a alguém que encontrasse e o quisesse aceitar, e aí não coube em si de contente.

 

 

"Oh minha querida! Já me alegrou o dia... que coisa tão linda!".

 

Falámos pouco, mas entre dois dedos de conversa, disse-me que a saúde não andava de ferro e que andava meia esquecida. Já com pressa, tive de vir embora mas ainda a ouvi chamar: "oh menina, como se chama?". "Catarina!", respondi.

 

"Que lindo nome, e que linda menina. Seja também muito feliz! E que Deus a ajude muito!".

 

Obrigada dona Ivone. Também me fez ganhar o dia. E pode andar esquecida, mas é bom ver que se lembra - como sempre - de ser feliz.

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